domingo, 7 de setembro de 2008

Chegando aos Trinta

Na verdade, já cheguei aos trinta há algum tempo. O fantasma da tal idade nos faz esquecer até dos vinte e oito, dos vinte e nove. Ele toma conta da gente. Não é a gente que vive os trinta. Os trinta é que vivem da gente. Isso tudo por uma simples razao. É aos trinta, que damos a primeira pausa na vida. É tempo de sentar e pensar efetivamente no que fizemos. E mais, por onde fizemos. Pensar no que valeu a pena. No que vale seguir. É hora de avaliação. De retratação. Agora batem os primeiros e fortes arrependimentos. Mas em contra-partida, sabemos que ainda há tempo de mudar os nossos erros, nossas maneiras, nossos modos. Na verdade sempre há, mas aqui, ainda nos sentirmos realmente em plenas condições.
Nossa vida é feita de fases. Na nossa infância apenas vivemos. Ainda nao temos dicernimento e nem motivos suficientes para parar e pensar em alguma coisa. Somos levados pelo turbilhão de acontecimentos e novidades. Nunca tivemos tantos “amigos” e atividades. Mas pouco de tudo isso seguirá com a gente.
A adolescência é a fase de descobertas. Palavras novas, sentimentos novos. Hormônios, Sexo. Hora de começar a viver o que vamos venerar pelo resto da vida. Tempo de ter vergonha, medo. Tempo de sonhar.
A juventude vem premiar tudo aquilo que penamos até chegar a ela. Mas principalmente é um tempo de escolhas. Profissão, dinheiro, amores. Pesos pesados que devem ser conciliados numa mistura de responsabilidade e deslumbramentos. Tudo é tão bom, tão intenso, tão novo, tão sem justificativas. E mais uma vez, ainda não demos tempo ao tempo. Simplesmente vivemos.
Mas aí ... chegamos aos trinta. Arrastando pensamentos. Trazendo novas questões, e nos fazendo guinar numa segunda escolha, mais importante do que a primeira. Ou quem sabe, nos confirmando o que já vinha sendo feito. Nos mostrando a certeza do caminho correto e nos dando permissão de se entregar ao mundo de vez.
Viver aos trinta é tudo aquilo que já sabemos. Ter experiência e um bocado de saúde. Ter confianca pra falar do que sabe. Ter orgulho de ser o que é. Viver aos trinta é estar entre os vinte e os quarenta. Poder usar roupa de novo sem parecer brega e usar roupa de velho sem parecer que já era. Chegar aos trinta é saber falar e escutar. É saber escolher.
Agora, são apenas duas horas nesses trinta anos, e já me sinto tão bem. Se soubesse que seria assim, não teria me preocupado tanto com ele.

Simples e Assim

Tem um sorriso me rondando
Uma forma convincente de se apropriar
Praticamente me tomando as rédeas
Possuindo os meus atos, minhas vontades
Atrevendo-se, atrevendo-se
Tem um jeito único
Poderoso, virtuoso
Ele une, agrega
Judeus, palestinos
Ele cessa a guerra!
Leva à lua, à rua
Leva e traz
E é capaz de mais
De muito mais
De inesperados feitos
E tudo isso sem saber direito
Por que pra mim, ele é assim:
Simples e assim

Cada um, com seu cada qual

Parece simples. Mas da simplicidade surgem as melhores idéias. E foi assim, de um breve comentário proferido por uma amiga, que saltou mais um desses pensamentos, que de insano tornou-se prosa.
Disse ela assim: - “O homem nunca saberá a dor do parto, e a mulher, nunca terá o desprazer de um chute nos culhões!".
Sim! É sério. Mais que sério, é poético! Quando ouvi, sabia que não podia deixar passar. Senti-me quase na obrigacao de desenvolver. E mais ainda, de me aproveitar de tão esperta indagação.
Você já parou para pensar? Nessa simples sacação, reside uma das maiores verdades humanas: ”Cada um com seu cada qual!”. Nada poderia caracterizar melhor esse bordão do que a nossa própria biologia.
Cada um de nós carrega as suas próprias dores. Nao podemos entender o sentimento do outro. Cada qual sente da sua maneira. Já nascemos assim, com as nossas diferenças.
O homem nunca saberá o que as mulheres passam na hora do parto. Tudo aquilo que nos é relatado, é assustador, relutável, indagador. Mas quem duvida? Eu não! Elas, e só elas podem saber do que estão falando.
E as mulheres? Nunca terão que passar pelo desprazer de um chute lá embaixo. Aquela dor que não começa, mas termina em cada pedacinho vivo do nosso corpo. Uma dor que sobe, sobe e se transforma em todas as dores que podemos sentir: de barriga, de cabeça, ... todas as dores em uma só, e uma só por todas elas.
Certas coisas não podemos mudar, e melhor que seja assim. Desse jeito podemos desenvover a capacidade de entender quem está a nossa frente, aceitando as suas fraquezas e louvando as suas virtudes. E tudo isso da melhor forma que poderia haver: SEM COMPARACOES!

Mais uma tentativa de falar de amor

Começo a acreditar no amor
Palavra que há pouco tinha vergonha de dizer
Brega, chula, incapaz
Por vezes pensei assim
Não o assumia
Talvez não o quisesse
Era fase, passou

Difícil é entendê-lo
Sei que existe, tenho certeza!
Não sei nome, cor, idioma
Só sinto que ele me ronda
Bem perto, quase me encosta
Mas ainda não se apresentou

Ainda tem a dizer nome e endereço
E tenho que tomar nota
Ele são muitos
Está aqui e ali, acima, abaixo
De formas diferentes, ele nunca é igual

E têm uma habilidade,
Como talvez nada no mundo tenha:
A de nos alimentar, nos fazer forte
Como me sinto bem com ele
Como me sinto mal sem ele
Ele é capaz dos opostos
Ele está nos pólos

Reproduz-se no tempo
Movimenta-se como a luz
Pense no que é vital, ele é mais!
É o que ainda não sei
Mas sei que me cerca
E que me ronda há anos

O Mundo é Quadrado

Em cada braço, em cada passo
Em cada mão, as cores
Diferentes cores
Miscigenando idéias e ideais
Duas palavras iguais
E só um "i" faz diferenca
Só um "i" faz das idéias, ideais
Muda a posição e muda muito
Que diferença faz
Que diferença faria
Se mudássemos mais
Os As, os Es
Todas as vogais

Mas o espaço é pouco
A sala, pequena
O envolcro é de madeira
A madeira é espessa
Impermeável, intransponível
E farpas, muitas farpas

Mas lá dentro, quanta gente!
Gente nova, gente boa, gente gente
Um mundo inteiro, inteirinho
Cabendo ali, naquele metro
Naquele metrinho, quadrado
O mundo é quadrado

Os antigos temores se confirmam
Os navegadores estavam certos
O mundo é quadrado
Em cada aresta, precipício
Em cada precipício, queda
E mais, o mundo nao gira pra todos
Gira pra poucos
E gira bem, gira bonito

Mas enquanto isso na sala
Gente, gente boa, gente nova
Gente querendo ser gente
Mas o mundo,
O mundo é quadrado
Dentro e fora da sala
(Bruno Benjamim)